Journal : Uma mandala coen


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O meu processo criativo pode ser tudo, menos linear. Estou sempre indo e voltando e somando coisas que vou descobrindo pelo caminho. A progressão segue irradiando para todos os lados, como a teia de uma aranha, o difícil é saber quando parar.
Enquanto eu escrevia o capítulo dois (e se você não o leu, é melhor parar por aqui e correr pro link) eu fiquei fascinado pelo processo de projeção do Teatro Coen. Na sua concepção original, o coen projetava seu teatro através do fogo e da música. Imediatamente o que vinha a minha mente quando eu falava sobre o assunto, porém era um ritual meio xamã, que de alguma forma me parecia muito mais intuitivo do que estudado e eu queria que ficasse claro a dificuldade de se realizar uma magia desta magnitude. Nos primeiros tratamentos do Teatro da Ira, experimentei um Coen bastante diferente. Galanteador, exagerado e falastrão, com truques pirotécnicos vazios que o tornavam um personagem divertido, mas estranhamente clichê. Com os outros tratamentos fui me aproximando do Coen que aparece neste capítulo. A inspiração final para o meu Teatro Coen foram as mandalas de areia budistas.
As mandalas podem variar de forma praticamente infinita. Cores, formas, materiais. Era interessante pensar que através de uma representação abstrata e controlada o Coen era capaz de simular a realidade. A imagem de uma projeção laboriosa me agradava muito e um coen muito mais artístico do que bufão foi aparecendo diante de mim. Desenvolver um coen nessa linha me dava outra oportunidade: desenvolver o conceito de grimório coen. Um livro de rascunhos, onde o coen anota seus estudos e desenvolvimentos. O grimório, em si, não era muito importante (por enquanto) mas a idéia por trás do conceito seria muito bem-vinda no futuro. Criar nesse formato de rede, é deixar de vez em quando um gancho para amarrar um futuro nó.
Vez por outra, porém, um gancho fica pendente. Tento me policiar o tempo todo para que a história não tenha muitos ganchos soltos, perguntas sem resposta ou becos sem saída. Não respondo todas as perguntas nunca. Acho que existem perguntas que não precisam ter uma resposta evidente, outras perguntas precisam ficar no ar por algum tempo até maturar. E a rede vai se formando.
E vocês, estão de olho em algum gancho que ainda não tem um nó?

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Uma resposta para “Journal : Uma mandala coen

  1. Pingback: O Canto do Coen | #ChamasDoImpério·

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