Journal : Anacrônia


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Eu procuro inspiração para o Chamas do Império em todas as partes. Sou anacrônico por natureza. Vejo nas histórias da segunda guerra mundial conceitos interessantes que quero usar. Aproveito ritos de passagem de tribos amazônicas, conceitos de física quântica, lendas cristãs, personagens indianos, tudo é uma possibilidade. A verdadeira magia dos mundos fantásticos é a liberdade ilimitada. Talvez seja essa a resposta de Bahr, quando seu mestre lhe pergunta de onde vem a realidade: “De todas as possibilidades.”

Enquanto vou criando, vou pesquisando sobre o mundo real. Como eram construídas as torres? Quais as mais altas? Qual a extensão da muralha da China? Quantos quilômetros um cavalo pode percorrer em um dia? Com algumas poucas variáveis tudo se espelha no mundo real. Na maior parte das vezes escolho não me inspirar em outros livros, embora já tenha falado de todas as minhas influências em outro lugar. Conversando com uma amiga sobre o Teatro da Ira ela logo reparou que o conceito do Império de Karis era familiar. Culpa da minha leitura da obra de Edward Gibbon, “A história do declínio e queda do Império Romano”. Faço do universo de Chamas do Império um caldo de referências que eu gosto muito, misturadas do meu jeito, com o tempero da minha escolha. Se dá certo, não sou eu quem pode julgar.

Mas as coisas que eu mais gosto de encontrar no mundo e transportar para a história, são os mistérios. O nosso mundo é recheado de mistérios que o tornam fantástico por si e eu queria que Qaran tivesse também os seus mistérios. Construir a história para esse universo foi como acrescentar camadas na casca de uma cebola, uma história sob uma história e enquanto vamos conhecendo a história do Chamas do Império, vamos esbarrando em regiões mais finas que nos permitem ver a camada de baixo. São lendas, histórias, antigas crenças, monumentos e verdades tão antigas que se tornaram inquestionáveis.

Chamas do Império cresce tanto para cima, com novas camadas, como para os lados, com a extensão da história e também para baixo, com camadas cada vez mais fundas da história e o universo vai se tornando tão complexo que a maior dificuldade é tornar tudo o mais simples possível para quem começa a navegar agora por esses mares.

Escrever sobre esse universo é sempre uma descoberta. Existem respostas que são bem claras, outras que são insinuações que se cristalizam enquanto me movo. É como se eu estivesse sempre olhando as possibilidades de tudo a partir do momento em que estou, mas só a conhecesse a verdade depois de cruzar o umbral. Existe magia mais clara do que isso?

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