Journal : O que fazer deste livro?


Dead-end

Toda vez que eu fujo do meu mapa, acabo preso em algum lugar do capítulo. Eu estava particularmente enrolado com uma cena de Oren. Existiam detalhes sobre Illioth que eu não tinha em minha memória, então precisei chafurdar no lixo, para encontrar os pedaços que me faltavam. Depois de alguns anos trabalhando no mesmo universo, com versões imperfeitas de um mesmo livro, é incrível a quantidade de textos que se acumulam na periferia. Foi quando me deparei com uma passagem particularmente interessante sobre a lenda de Therik.

Therik foi o fundador de Illioth, o primeiro Rei de direito. Foi trazido dos mortos pelos Deuses para renovar a fé dos homens e terminar com o reinado de terror dos eldani. Therik foi aquele a quem os Deuses deram o chicote para que a raça antiga dobrasse os joelhos.

Gastei uma hora lendo todo o texto, completamente absorvido, como se estivesse lendo algo escrito pelo meu autor favorito. A leitura terminou bruscamente eu revirei os demais arquivos da mesma pasta procurando pelo fim do relato. Em vão. Era uma sensação de total descoberta e uma profunda admiração pelo autor. Então eu me dei conta que o autor era eu. Aquele texto era meu e devia ter seis anos, pelo menos. Fiquei em choque. Não por ter imaginado que o autor pudesse ser outra pessoa, isso seria impossível neste caso, mas por perceber que eu já havia sido bem melhor escritor do que eu era hoje em dia. Seis anos de diferença e eu me sentia humilhado.

Parei o capítulo exatamente onde eu havia deixado. Não acrescentei nenhuma linha. Terminei o dia bastante frustrado com a percepção de que talvez eu estivesse correndo para o lado errado. Talvez a onda já tivesse passado. A parábola fazia sua longa curva para baixo e eu não via o menor sentido em lutar contra isso.

Ainda estou com a mesma sensação. Como ela se mostrava resistente, achei que merecia ao menos aparecer neste diário de guerra que se tornou os entre capítulos do Chamas, enquanto eu penso no que eu devo fazer deste livro. Será que ainda vale a pena, se dedicar a algo que parece morto antes de nascer?

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