Journal : #500palavras


palavras-nitido

As regras: Você vai usar trecho de história sugerido por quem te enviou essa brincadeira e vai continuá-la com 500 palavras ou menos. Depois que terminar, você vai indicar mais 5 pessoas que vãousar um trecho seu. Vale terminar a história do jeito que você quiser. Isso é apenas um exercício criativo, então não leve nada tão a sério. A brincadeira fica mais divertida se você usar estilos com as quais não está muito familiarizado. Para ajudar a divulgar, use a TAG #500palavras.

O trecho que me deixaram foi:

Sentia suas lágrimas escorrerem quentes por seu rosto, a chuva pingar e molhar suas roupas, a poça de água suja e gelada onde tinha se sentado, e a boca dormente, tremendo de susto, com o gosto salgado de suas próprias lágrimas. Seu corpo inteiro parecia adormecido, um calor tomava conta de seus músculos e começou a suar. Apagou, soltando o peso em cima do garoto que salvara, desmaiando ali mesmo, no meio da rua.

–  Mariana SgambatoLembre-se de Morrer

Acordou sozinha. Seus membros estavam enrijecidos e sentiu o princípio de febre tomar seu corpo. Lembrou-se do garoto que havia arrastado para fora da água. O suicida idiota que arruinou sua noite. Nenhum sinal dele. Sentou-se na calçada vendo sacos de lixo boiando e pensou que com a sua sorte tinha pego alguma doença.

O relógio de rua marcava 5:00AM . Seu celular estava encharcado e morto. Por um instante ficou na dúvida sobre o que faria a seguir. Voltar para casa, chamar a policia ou ir ao hospital? Não havia nada que pudesse fazer onde estava e francamente, queria um banho quente e esquecer tudo aquilo.

Agarrou-se aos próprios braços, tremendo de frio. Seu vestido estava arruinado e ela se sentia estúpida. O garoto não havia nem mesmo se preocupado em acordá-la antes de ir. Não acreditava no que havia feito. “Eles não vão me levar!” O garoto gritava. Idiota!  Algo coçou no seu pescoço. Ela logo pensou na quantidade de doenças nadando naquele rio. Depois ficou com medo de ter algum tipo de parasita sugando seu sangue. Olhou seu reflexo em uma vitrine e quase enlouqueceu.

– Que porra é essa? – Tentou limpar a sujeira, revelando algo que não saia nem com força. – O puto me tatuou? – Não podia acreditar, mas havia um desenho intrincado em seu pescoço, circular como uma mandala, ou um daqueles desenhos que os desocupados faziam nas plantações para zoar os trouxas.

Sua casa estava perto. Banho e roupas limpas lhe fariam bem. Subiu oito lances de escada e lutou contra a fechadura emperrada. O kitnet era um amontoado de roupas escondendo os poucos móveis. A mesa com o computador ligado, o sofá-cama com os discos de vinil e a pequena estante com Leminsky e Bukowski. Foi direto ao banheiro, tirou toda a roupa molhada, olhou no espelho a tatuagem e constatou com assombro que ao menos aquela era bonita. Um pouco a mais de tinta não iria destruir a sua pele.

– Banho! – Quase teve um orgasmo quando a água quente tocou sua pele. Ficou ali, apenas deixando a água escorrer pelo seu corpo branco. Bastava entrar no chuveiro para se sentir branca e gorda. Já se esquecera de quando tinha sido seu último encontro e duvidava que tivesse outra chance depois daquela noite.

Quando se sentiu limpa, desligou o chuveiro e foi dormir. Em seu sonho, corria por um labirinto, sem saber onde devia chegar. O minotauro vinha atrás dela, farejando seu sangue. Ela não queria morrer, mas não tinha coragem para lutar. Quando acordou, descobriu que havia perdido o dia inteiro. Sentia ânsias. No banheiro, vomitou uma água preta que a assustou terrivelmente.

Acendeu um cigarro e pensou na sua merda de vida. A coisa mais emocionante que havia lhe acontecido fora pular em um rio para salvar um desconhecido e nem isso ela sabia se tinha sido verdade. Talvez só estivesse alta demais. Talvez realmente estivesse presa naquele labirinto. Sentou-se no computador e começou a escrever. Queria terminar, antes do minotauro chegar.

Para meus colegas, Mariana Sgambato, Martha Lopes, Lucas Moraga, Lidia Zuin e Laísa Couto eu deixo o trecho:

Ela sabia que, de uma forma ou de outra, estava seguindo seu próprio labirinto e que estava atravessando a sua porta naquele instante. Não havia muros de arbustos e trepadeiras nas suas paredes, mas haviam tramóias e mentiras, conspirações e desejos escusos. E no seu centro, como naquele monumento, havia um tesouro oculto; todos os seus sonhos.

Diego Guerra, Chamas do Império.

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