Inspiração : 22 Lições de Stephen King sobre como ser um grande escritor


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Recebi esse texto no Facebook, através da Ana Lucia Merege, autora do Castelo das Águias, que por sua vez o recebeu da página “Encontros Literários”, apenas para creditar os responsáveis pelo achado.

Antes de mais nada, não sou fã do Stephen King. Claro que tenho um grande respeito pela sua obra e o admiro como personalidade, – seria leviano desrespeitar um autor que fatura 17 milhões de dólares por ano, com obras publicadas em todas as línguas imagináveis –, mas infelizmente o tipo de literatura que ele pratica não costuma me cativar.

Mesmo assim, eu fiquei muito curioso com a sua biografia, “On Writing” que deve ter passagens interessantíssimas, além de grandes conselhos de uma pessoa muito experiente, sobre a profissão de escritor.

E aqui estão vinte e dois exemplos disso:

1. Pare de assistir televisão. Ao invés disso, leia o máximo que puder.

Se você está começando agora a ser um escritor, sua televisão deve ser a primeira coisa a ir embora. É “um veneno pra criatividade”, ele diz. Escritores precisam olhar dentro de si mesmos e voltar-se para a vida da imaginação.

Para isso, eles devem ler o máximo que podem. King leva um livro com ele pra qualquer lugar, e lê até mesmo durante as refeições. “Se você quer ser um escritor, você deve fazer duas coisas acima de todas as outras: ler muito e escrever muito” ele diz. Leia amplamente, e constantemente trabalhe pra refinar e redefinir o seu próprio trabalho.

2. Se prepare para mais falhas e críticas do que você acha que pode lidar.

King compara escrever ficção com atravessar o Oceano Atlântico em uma banheira, porque em ambos “há várias oportunidades para duvidar de si mesmo”. Não só você vai duvidar de si mesmo, mas outras pessoas também vão duvidar de você. “Se você escreve (ou pinta, ou dança, ou esculpe, ou canta, eu suponho) alguém vai tentar te fazer se sentir péssimo com isso”, escreve King.

Muitas vezes, você tem que continuar escrevendo mesmo quando não se sente assim. “Parar um pedaço de trabalho só porque é difícil, seja emocionalmente ou imaginando, é uma má ideia” ele escreve. E quando você falha, King sugere que você permaneça positivo. “Otimismo é uma resposta perfeitamente legítima ao fracasso.”

3. Não perca tempo tentando agradar as pessoas.

De acordo com King, rudeza deve ser a menor das suas preocupações. “Se você pretende escrever da forma mais sincera possível, seus dias como membro da sociedade educada são numerados de qualquer maneira” ele escreve. King costumava ter vergonha do que escrevia, especialmente depois de receber cartas iradas, acusando-o de ser intolerante, homofóbico, assassino, e até mesmo psicopata.

Lá pelos 40 anos, ele percebeu que todo escritor decente tinha sido acusado por ser um desperdício de talento. King tinha definitivamente estado de acordo com isso. Ele escreve, “Se você desaprova, eu posso só encolher os ombros. É o que eu tenho”. Você não pode agradar todos os seus leitores ao mesmo tempo, então King aconselha que você pare de se preocupar.

4. Escreva primeiramente para si mesmo.

Você deve escrever porque isso te traz felicidade e realização. Como King diz, “Eu fiz isso pela pura alegria da coisa. E se você pode fazê-lo por alegria, você pode fazê-lo pra sempre.”

O escritor Kurt Vonnegut oferece uma visão semelhante: “Encontre um assunto que você gosta e que você sente em seu coração que os outros também devem gostar” ele diz. “É esse carinho genuíno, não os seus jogos com a linguagem, que será o elemento mais atraente e sedutor em seu estilo.”

5. Resolva as coisas que são mais difíceis de escrever.

“As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer” escreve King. “São as coisas das quais você se envergonha porque palavras diminuem seus sentimentos”. A maioria das grandes obras são procedidas com horas de pensamentos. Na mente de King, “A escrita é um pensamento refinado”.

Ao abordar questões difíceis, certifique-se de cavar fundo. King diz, “As histórias são coisas encontradas, como fósseis no chão… As histórias são relíquias, partes de um mundo não descoberto pré-existente”. Escritores devem ser como arqueólogos, escavando por tanto da história quanto consigam encontrar.

6. Quando escrever, se desconecte do resto do mundo.

Escrever deve ser uma atividade totalmente íntima. Coloque sua mesa no canto da sala, e elimine todas as possibilidades de distrações, desde telefones até janelas abertas. King aconselha, “Escreva com a porta fechada; reescreva com a porta aberta.”

Você deve manter total privacidade entre você e seu trabalho. Escrever um primeiro rascunho é “completamente cru, o tipo de coisa que me sinto livre a fazer com a porta fechada – é a história nua, de pé com nada além de meias e cuecas.”

7. Não seja pretensioso.

“Uma das coisas realmente ruins que você pode fazer com sua escrita é vestir o vocabulário, procurando por palavras longas porque você está talvez um pouco envergonhado de suas curtas”, diz King. Ele compara esse erro com vestir um animal doméstico com roupas de noite – tanto o animal quanto o dono estão envergonhados, porque é completamente excessivo.

Como o empresário icônico David Ogilvy escreve em um memorando a seus empregados, “Nunca use palavras como reconceituar, desmassificação, atitude, judicialmente. Eles são características de um burro pretensioso”. Além disso, não utilize símbolos a menos que necessário. “Simbolismo existe para enfeitar e enriquecer, não pra criar uma sensação artificial de profundidade” escreve King.

8. Evite advérbios e longos parágrafos.

Como King enfatiza várias vezes em seu livro, “o advérbio não é seu amigo”. Na verdade, ele acredita que “o caminho para o inferno está pavimentado com advérbios”, e os compara com dentes de leão que arruínam seu gramado. Os advérbios são piores depois de “ele disse” e “ela disse” – essas frases são deixadas sem adornos.

Você deve também prestar atenção aos seus parágrafos, para que eles fluam com as voltas e ritmos de sua história. “Parágrafos são quase sempre tão importantes para como aparentam, quanto para o que eles dizem”, diz King.

9. Não fique excessivamente preso à gramática.

De acordo com King, escrever é principalmente sobre sedução, não precisão. “A língua nem sempre tem que usar uma gravata e sapatos de amarrar”, escreve King. “O objeto da ficção não é correção gramatical, mas sim fazer o leitor se sentir bem-vindo e então contar uma história”. Você deve se esforçar para fazer com que o leitor se esqueça de que ele ou ela está afinal lendo uma história.

10. Domine a arte da descrição.

“A descrição começa na imaginação do escritor, mas deve terminar na do leitor” escreve King. A parte importante não é escrever o suficiente, mas limitar o quanto você diz. Visualize o que você quer que o leitor experimente, e então traduza o que você vê em sua mente em palavras na página. Você precisa descrever as coisas “de um jeito que fará com que seu leitor formigue em reconhecimento”, ele diz.

A chave para uma boa descrição é clareza, tanto na observação quanto na escrita. Use imagens frescas e vocabulário simples para evitar esgotar o seu leitor. “Em muitos casos, quando um leitor coloca uma história de lado porque ficou chato, o tédio surgiu porque o escritor cresceu encantado com seus poderes de descrição e perdeu de vista a sua prioridade, que é a de manter a bola rolando” observa King.

11. Não dê muita informação ao fundo.

“O que você precisa lembrar é que há uma diferença entre ler sobre o que você conhece e usar isso pra enriquecer a história”, escreve King, “O último é bom. O primeiro não”. Certifique-se de só incluir detalhes que movem a sua história para a frente e que convença o leitor a continuar a leitura.

Se você precisa fazer pesquisas, verifique se aquilo não ofusca a história. Pesquisar pertence “ir mais afundo da história quanto conseguir”, diz King. Você pode estar encantado com o que está aprendendo, mas seus leitores vão se importar muito mais sobre seus personagens e sua história.

12. Conte histórias sobre o que as pessoas realmente fazem.

“Má escrita é mais do que uma questão de sintaxe ruim e observação defeituosa; má escrita geralmente surge de uma recusa obstinada de contar histórias sobre o que as pessoas realmente fazem – pra encarar o fato, digamos, que os assassinos às vezes ajudam velhinhas a atravessar a rua” escreve King. As pessoas em suas histórias são o que os leitores gostam na maioria, então certifique-se de reconhecer todas as dimensões que seus personagens possam ter.

13. Se arrisque; não jogue seguro.

Em primeiro lugar, pare de usar a voz passiva. É o maior indicador de medo. “Estou convencido de que o medo está na raiz da maior parte da má escrita” King diz. Os escritores devem jogar seus ombros para trás, erguer seus queixos, e colocar sua escrita no comando.

“Tente qualquer maldita coisa que você goste, não importa o quão tediosamente normal ou ultrajante seja. Se funcionar, ótimo. Se não, jogue fora” King diz.

14. Perceba que você não precisa de drogas pra ser um bom escritor.

“A ideia de que o esforço criativo e de substâncias que alteram a mente estão entrelaçados é um dos grandes mitos do pop-intelectual do nosso tempo” diz King. Aos seus olhos, os escritores que abusam de substâncias são apenas abusadores de substâncias. “As alegações de que as drogas e álcool são necessários para aliviar uma sensibilidade mais fina são só a atual besteira de autosserviço”.

15. Não tente roubar a voz de outra pessoa.

Como King diz, “Você não pode apontar um livro como um míssil de cruzeiro”. Quando você tenta imitir o estilo de outro escritor, por qualquer razão que não seja a prática, você vai produzir nada além de “claras imitações”. Isso é porque você nunca pode tentar replicar a forma como alguém se sente e experimenta a verdade, especialmente por meio de um olhar superior em vocabulário e enredo.

16. Compreenda que a escrita é uma forma de telepatia.

“Todas as artes dependem da telepatia até certo ponto, mas eu acredito que escrever seja a destilação mais pura” diz King. Um elemento importante em escrever é a transferência. Seu trabalho não é escrever palavras na página, mas sim transferir as ideias dentro da sua cabeça para a cabeça de seus leitores.

“Palavras são apenas o meio através do qual a transferência acontece” diz King. Em seu conselho sobre a escrita, Bonnegut também recomenda que os escritores “usem o tempo de um completo estranho de tal maneira que ele ou ela não vá sentir que aquele tempo foi desperdiçado”.

17. Leve sua escrita a sério.

“Você pode se aproximar do ato de escrever com nervosismo, excitação, esperança ou desespero” diz King. “Vá de qualquer maneira, mas com calma”. Se você não quiser levar sua escrita a sério, ele sugere que você feche o livro e faça outra coisa.

Como a escritora Susan Sontag diz, “A história deve atingir um nervo – em mim. Meu coração deve começar a bater quando ouço a primeira linha em minha cabeça. Eu começo a tremer com o risco.”

18. Escreva todo dia.

“Assim que começo a trabalhar em um projeto, eu não paro, e não abrando a menos que seja absolutamente necessário” diz King. “Se eu não escrevo todos os dias, os personagens começam a mofar em minha mente… Eu começo a perder o controle sobre o enredo e ritmo da história.”

Se você deixar de escrever de forma consistente, a emoção para sua ideia pode começar a desaparecer. Quando o trabalho começa a parecer um trabalho, King descreve o momento como o “beijo da morte”. Seu melhor conselho é só levar “uma palavra de cada vez”.

19. Termine seu primeiro rascunho em três meses.

King gosta de escrever 10 páginas por dia. Ao longo de um período de três meses, isso equivale cerca de 180.000 palavras. “O primeiro rascunho de um livro – mesmo um grande – não deve levar mais que três meses, a duração de uma temporada” ele diz. Se você gastar muito tempo em sua peça, King acredita que a história começa a tomar um sentimento estranho.

20. Quando você terminar de escrever, dê um longo passo para trás.

King sugere seis semanas de “tempo de recuperação” depois de você terminar de escrever, para que você possa clarear a mente para detectar eventuais buracos gritantes no enredo ou no desenvolvimento do personagem. Ele afirma que a percepção inicial de um escritor sobre o personagem pode ser tão falho quanto o do leitor.

King compara a escrita e o processo de revisão da natureza.”Quando você escreve um livro, você passa dia após dia observando e identificando as árvores” ele escreve. “Quando você termina, você dá um passo pra trás e olha pra floresta”. Quando você encontra seus erros, ele diz que “você está proibido de se sentir deprimido sobre eles ou de bater em si mesmo. Estragos acontecem com os melhores de nós”.

21. Tenha a coragem de cortar.

Quando revisar, os escritores muitas vezes têm dificuldade em abrir mão de palavras que passou tanto tempo escrevendo. Mas, como King aconselha, “Mate seus queridos, mate seus queridos, mesmo quando isso quebrar o coração do seu pequeno escritor egocêntrico, mate seus queridos”.

Embora a revisão seja uma das partes mais difíceis de escrever, você precisa deixar de fora as partes chatas, a fim de mover-se ao longo da história. Em seu aconselho pra escrever, Bonnegut sugere “Se uma frase, não importa o quão excelente esteja, não ilumina o assunto de alguma forma nova e útil, risque-o fora”.

22. Permaneça casado, seja saudável e viva uma vida boa.

King atribui seu sucesso a duas coisas: sua saúde física e seu casamento. “A combinação de um corpo saudável e um relacionamento estável com uma mulher autossuficiente que não fica brava comigo ou qualquer outra pessoa fez a continuidade da minha vida profissional possível”, ele escreve.

É importante ter um forte equilíbrio em sua vida, para que a escrita não consuma tudo. Nos mandamentos de escrita do escritor e pintor Henry Miller’s 11, ele aconselha “Continue humano! Veja pessoas, vá a lugares, beba se você gostar disso”.

Link Original em Ingles, aqui.

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