Journal : Empilhando a lenha


Fire Mage by uildrim

Fire Mage by uildrim

Tem quem ache que um livro nasce pronto. Que brote da cabeça do autor e se materialize “hoje mesmo nas melhores livrarias”, mas a verdade é que um livro nasce em etapas, como degraus de uma escada. Nasce como uma idéia, se transforma em um esboço, depois vem um manuscrito que acaba tendo vários tratamentos, termina como um original que vai para a mão do editor e, se selecionado tem novos tratamentos, pelo editor, pelo autor, pelo revisor, pelo copydesk e tudo de novo. Cada um contribuindo um pouco mais para o livro ter aquela forma que o leitor leva para casa. Já disse outras vezes que o autor precisa ter essa consciência de que o livro não lhe pertence, embora ele seja parte essencial do projeto. Sem autor não existe livro, mas o livro em si, como está na estante, tem tantos pais e mães quanto uma editora tem colaboradores.

Atravessar esse longo processo é uma espécie de prova mitológica. Você aprende a encarar seus medos, a abrir mão de seu orgulho, a confiar nesses tantos profissionais que estão, cada um da sua forma, procurando o melhor para o projeto e aprendendo a conviver. O maior desafio, no caso, é se livrar do ego e aprender a ouvir. Saber quais batalhas lutar e quais na verdade são motivadas por puro orgulho. Ouvindo se aprende mais do que tendo razão o tempo inteiro. Mesmo as opiniões com as quais você não concorda têm uma outra direção que caberá a você tomar ou não, mas é importante conhecê-la para se ter essa opção.

Tudo isso para dizer que, depois de todos esses meses de trabalho, o Teatro da Ira se encontra no que deve ser a sua revisão final. Falta tão pouco agora que eu já sinto o cheiro de livro novo. Se por um lado é certo que escrever é um processo solitário e muitas vezes anti-social, depois de todo esse desafio posso dizer sem sombra de duvidas que publicar é um trabalho coletivo que exige uma coordenação bastante milimétrica para dar certo. Nesse ponto, fico feliz de ter sido escolhido pela Draco e pela batuta mágica do seu gestor, Erick Sama e ter sido acolhido pela Olivia Maia que vem se dedicando em dobro para dar um pouco mais de coerência a idéias que as vezes são amplas demais para caber no papel.

Ainda não acabamos. Ainda falta um pouco.

Mas agora é tão pouco que eu já consigo sentir as fogueiras se acendendo e as chamas se espalhando.

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4 Respostas para “Journal : Empilhando a lenha

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