Journal : Prisioneiros


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Acho que posso dizer com uma dose de certeza que todo escritor nasce na gaveta. É na gaveta que maturam todas as ideias que ele foi acumulando ao longo do tempo. Os filmes que ele viu, os livros que leu. Aqueles parágrafos desconexos que ele não sabe bem ao que pertencem. As vivências, os lamentos. Todos juntos, amontoados uns sobre os outros, como ingredientes de uma sopa primordial. A gaveta aprisiona aquilo que não cabe mais em nossos pensamentos e de uma forma ou de outra tenta vazar para o mundo. Ela pode durar muitos anos, como uma represa que vai se enchendo lentamente, ou pode transbordar imediatamente, procurando uma forma de se espalhar, contaminando outras gavetas, outros pensamentos. O fato é que toda gaveta tem fundo e se o escritor tiver uma produção frequente, é inevitável que as comportas se abram ou que a represa rebente.

Eu também tenho a minha gaveta. Minha média de escrita é de duas páginas por dia, são setecentas páginas por ano. Entre coisas novas, ficções, revisões, pensamentos, crônicas e opiniões diversas. A maior parte desses escritos estão maturando dentro da gaveta como prisioneiros políticos sem ver a luz do dia. Outros aguardam o seu eventual esquecimento e abandono, de fato apenas uns poucos chegam a escapar dessa prisão. Ano passado, porém, eu tive a sorte de escrever 5 ótimas histórias, uma coisa rara para um ano. Dois contos e três noveletas, que agora fazem um volume incomodo dentro da gaveta. Eu a abro e olho para dentro, elas me encaram com semblante de Gato de Botas pedindo para dar uma voltinha, eu as retiro do lugar, afasto o pó, brinco com elas uns minutos e depois as devolvo ao seu cativeiro, com o coração partido. Ainda não.

Quem vê de fora deve achar que sou um escritor relaxado. Tenho prometido o Teatro da Ira desde o final de 2013 quando sua publicação online terminou. Em 2014 tivemos a aquisição pela Draco, mas o ano passou aparentemente sem outras novidades e tenho ficado calado sobre tudo este ano. Mas a verdade é que tem muita coisa acontecendo sem que eu possa me pronunciar a respeito. A continuação do Teatro da Ira já começou, teremos muitas aventuras de Khirk e Krulgar, mas também a inclusão de novos personagens e a retomada de alguns personagens que só foram visto de passagem. A série ganhou uma reformulação em um dos seus arcos, dando maior importância a eventos que eram simples detalhes. Só neste universo já existem duas noveletas prontas, contando o passado dos personagens e do background do universo. Estão esperando apenas o OK do editor e atrás destas existem outros 12 contos e noveletas esperando a sua vez. Também surgiu a possibilidade de se escrever uma nova série, no mesmo universo, mas com personagens completamente diferentes, cujo formato pode voltar a ser online, ou talvez algo mais. A verdade é que as Chamas do Império estão em franca expansão, se não física, ao menos mentalmente, indo através dos meus dedos para dentro da minha gaveta. E é uma questão de tempo para que essas histórias se rebelem e tramem a própria fuga.

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