Journal : Retrospectiva 2015 e planos para 2016


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Este foi um dos anos mais tumultuados desde que Chamas do Império deixou de ser uma obsessão para se tornar um projeto real em 2013. Uma série de questões pessoais se entrelaçaram com o andamento do livro, a edição do Teatro da Ira atrasou, o ilustrador que contratamos para a capa do livro sumiu, os contos que eu tinha preparado no ano passado se acumularam e eu cheguei ao quarto trimestre esgotado, com a sensação de que tinha trabalhado muito sem realizar nada.

A verdade é que 90% dos meus projetos acabam parados em alguma etapa. A maior parte deles estão esperando um segundo, terceiro ou quarto tratamento, alguns aguardam o retorno dos leitores beta, a outra parte voltou para a gaveta sem prazo para ver a luz do dia. O ano de 2015 estava para se tornar o ano menos produtivo de todos os tempos, mas as coisas começaram a mudar em outubro, quando tirei 15 dias para fugir dos meus demônios e me esconder no interior do Brasil.

O resultado de uma imersão completa no meio do mato foi voltar com energia para participar e vencer meu primeiro NaNoWriMo, com “O gigante da guerra”. Foram 55 mil palavras escritas em pouco mais de vinte dias, bem mais do que eu imagina ser possível e que me renderam duas coisas ao final: 1) Eu senti na pele o poder do prazo e como ele me impulsionava a continuar escrevendo, mesmo com todos os compromissos. 2) Eu descobri um jeito de contar histórias que até então eu não julgava capaz de contar.

Enquanto eu ainda lambia as feridas no primeiro tratamento do Gigante, fui contatado por uma editora nova, que estava se preparando para fazer sua estréia no ano que vem e que acompanhava meu trabalho a algum tempo. Entre os planos da editora havia os planos para uma antologia de contos. Já reclamei mais de uma vez aqui da minha dificuldade em lidar com a ficção curta, mas o convite era realmente bastante tentador e as conversas sobre o que viria a ser o projeto continuaram por algumas semanas, até que a editora perguntou se não havia nenhum interesse na publicação de um romance.

Quem escreve a algum tempo sabe que convites desse tipo são raros. E-mails de editores se atulham de originais de autores novos e veteranos, se acotovelando para encontrar um lugar no sol, mesmo uma editora pequena, em início de carreira, com tiragens baixíssimas não devia ter dificuldade de encontrar um autor. Claro que a proposta interessava, mas eu tinha acabado de sair de um NaNoWriMo, meus outros projetos estavam incompletos ou eram vinculados demais ao Teatro da Ira para fazer sentido fora da Editora Draco. Não me parecia certo publicar uma obra ligada a cronologia do Chamas do Império em outra editora e eu não tinha a menor força para iniciar algo novo em tempo hábil antes de terminar o tratamento do Gigante da Guerra.

Olhei para a tela aberta onde o Gigante se movimentava inquieto, esperando pela minha nova leitura. Era uma história do Império, sim, mas acontecia trinta anos antes do Teatro da Ira, em um pedaço de Karis que tinha sido abandonado pelo interesse do autor, com personagens que em nada se pareciam com os personagens do Teatro da Ira. Para ser franco era uma história que funcionaria tão bem em Karis quanto na França de Luis XVI, na Guerra Civil Americana ou durante a Guerra do Paraguai. Era uma história que tinha sido construída fora do cenário e que era focada em pessoas que podiam estar em qualquer lugar de conflito. Também era uma história sem aventuras, sem espadas, sem feiticeiros, sem batalhas épicas. Era uma história que eu achava difícil de agradar alguém, mas era a história que eu tinha a disposição.

Expliquei a situação para a editora e ela aceitou avaliar o original, mesmo incompleto, mesmo cru. A chance era remota.

No dia seguinte meu facebook estava cheio de mensagens aflitas sobre os personagens, anotações sobre o desenvolvimento da história e pequenos pedidos de mudança de enredo. Ainda era cedo quando comecei a trocar mensagens com a editora, achei surreal que já houvessem tantas questões. No decorrer do dia a medida em que a leitura progredia, a editora me mandava mais questões e sugestões, em menos de 24 horas ela havia lido todo o livro e respondido sobre o interesse no Gigante da Guerra.

De um instante para o outro, 2015 tinha deixado de ser um ano improdutivo para se tornar um dos meus melhores anos, se não em materializações, ao menos em semeaduras para um 2016 ainda melhor.

Para o ano que vêm vocês podem esperar finalmente o lançamento do Teatro da Ira pela Editora Draco, além do lançamento do Gigante da Guerra, uma história completamente independente, pela Editora Crown. Têm mais novidades vindo ai, alguns que já estão certos, outros ainda em fase de negociação, mas 2016 vai ser um ano bastante animado para quem acompanha as aventuras deste site. Obrigado a todos que acreditaram e lutaram para que essas conquistas acontecessem e um 2016 carregado de vitórias para todos nós.

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