Journal : Universo expandido


Arte de Vicente Segrelles

Arte de Vicente Segrelles

Um dia desses eu estava conversando com uma amiga sobre o surgimento do Chamas do Império e sobre como ele evoluiu por causa de uma outra história. Em um país remoto, séculos depois do desaparecimento de todos os personagens dessa história, dois personagens estavam sentados diante da fogueira comentando sobre os heróis de uma outra era com ar de espanto e admiração e quando eu terminei o relato eu fiquei me perguntando o que dessa história é verdade e o que era só lenda. Foi assim que eu passei a construir o universo do Chamas do Império: costurando verdades e lendas.

 

O universo do Chamas do Império se expande de forma orgânica. Um dia estou trabalhando na continuação do Teatro da Ira e então me deparo com um personagem que precisa de um background mais detalhado o que me faz gastar um tempo imaginando cenários que ainda não são necessários. Eu costumo deixar fluir, para ver onde aquilo vai chegar. Nascem histórias, contos, novelas e depois de um tempo eu começo a entender que alguns deles são verdade, outros delírios.

Essa questão surge diversas vezes para mim ao longo de todo o livro. Os dhäeni e os homens tem versões diferentes da “Lenda de Therik“, por exemplo e no final descobrimos que nenhum deles conhece completamente a verdade. A história de Krulgar, foi escrita toda em primeira pessoa, como um causo de fogueira, sobre um garoto que foi criado por uma matilha de cães de caça. A história de Khirk, o dhäen mudo, só vai chegar até nós pela voz de outras pessoas e só os Deuses vão saber o que é verdade e o que é mentira nessa história. Muitos dos acontecimentos do livro vão surgir em conversas de bar aqui e ali, nunca do mesmo jeito. Pode parecer confuso e exigir atenção, mas reflete uma certeza toda minha, de que a verdade reside em algum lugar entre dois extremos.

Quem chegou ao fim do Teatro da Ira se deparou com umas “Notas Históricas“. Nele eu conto um pouco dos acontecimentos do livro, sob o ponto de vida dos historiadores do Império. Quem leu o livro inteiro sabe que as coisas não aconteceram exatamente daquela forma, mas talvez aqueles sejam os fatos que vão restar, quando a história chegar ao fim e aqueles dois personagens se encontrarem diante da fogueira, para falar de um reino a muito esquecido.

Algumas histórias do Chamas do Império são fatos, outros são fumaça. É impossível saber quando um personagem está dizendo a verdade, então nunca acredite nas conversas de taverna, em livros apócrifos, em lendas esquecidas. Encontre a sua verdade e se atenha a ela, antes que ela se desfaça em fumaça.

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