Journal : Kill your darlings


Sacrifício-de-Isaac.jpgMeu processo de escrita, normalmente começa pelo título. Não exatamente pelo título, tenho um plot que de uma forma ou de outra parece nascer com nome e sobrenome que, com poucas excessões, segue confiante até a história ficar pronta. Chamas do Império tem algumas histórias assim. Histórias que eu venho intercalando em uma ordem que aos poucos vêm fazendo sentido.

A anos o título do segundo volume do Chamas do Império já estava definido. O plot o cercava e embalava com exatidão e parecia tudo fluído e certo. Trabalhando no livro, porém, era como se houvesse um dente quebrado no mecanismo e a história dava um salto. Eu lutei contra esse gap com todas as forças, em uma atitude bem pouco budista de apego ao passado, sem perceber o que estava me atrasando. A história rapidamente perdia o sentido e eu não conseguia explicar o motivo.

Ontem, planejando meus exercícios para a Oficina de Romance do Fábio Fernandes, eu comecei a escrever o outline da história, com uma única diferença: ao invés do título que eu tinha em mente, escrevi na folha simplesmente “Volume 2“. A história que foi se desenrolando era muito parecida com a que eu vinha planejando todos esses anos, mas de repente surgiram elementos novos, referências interessantes ao primeiro volume, toda uma série de eventos e situações que eu jamais tinha imaginado. De repente me veio o estalo e eu entendi que o título antigo vinha me fazendo gravitar por uma idéia que estava limitando as minhas possibilidades. O volume dois tinha um formato muito mais interessante e dinâmico do que o antigo título jamais teria. Era solto, era novo, era flexível, eu podia molde-lo de acordo com a minha necessidade. Quando estava na metade do outline me veio a mente um novo título para o livro e ele fazia todo sentido.

In writing, you must kill your darlings.”, Faulkner dizia. Para mim, com isso, ele queria dizer que não devemos ter demasiado amor a uma idéia, temos que ter senso crítico para melhorá-la ou abandoná-la em benefício da obra. Ontem eu descobri um destes amores oculto a olhos vistos e o matei a golpes de machado. Que venham os próximos.

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